26/05/2012

Passava!

Passava o dia distante, passava na rua distraída, passava e não olhava
Ora, não sentia, não tinha motivo para olhar
Passava, simplesmente imersa nos seus sonhos, perdida nos desejos
Por fora parecia que tinha tudo
Quem via reparava
Mas não, nem notava
Era tão comum, tão igual, não se sentia observada
Por isso passava, quieta sempre pelo mesmo caminho em direção ao mesmo lugar
Um dia se sentiu diferente
Sonhara tanto
Quem a via caminhando tão tranquila, não conhecia o tamanho dos sonhos que nutria, do romantismo que escondia
Um dia, um beijo dado na mesma calçada em que sempre passava a despertou
Sentiu-se distante do mundo, sentiu-se anormal
Tanto sonhava, tanto imaginava
E veja só, caminhando sozinha há tanto tempo nem lembrava
Agora, atenta a todos os lados, procura apressada
Espera inquieta, por alguém que nem sabe quem é
Apenas anda e observa e vê em cada rosto a possibilidade do encontro que sempre sonhou pelo caminho
O sorriso que tanto procurou nos lugares por onde passou, nos capítulos que escreveu, nas lágrimas solitárias, no romantismo em vão escondido
Quase implora pela chegada desse corpo e dessa alma
Que finalmente surja disposta a ser seu abrigo.


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