23/07/2012

Cometo erros!

Uns o tempo apaga
Outros abrem dolorida chaga
Que a minha desolação afaga
Cometo erros
Deles me arrependo
Também com eles vivo e aprendo
Sem repeti-los, vou me mantendo 
Cometo erros
Mulher imperfeita
Refeita, torno-me insatisfeita
Vem o desalento de tê-los feito
Como lamento! Chorei de tristeza
Cometo erro
E a lagrima rolou
Por entre o silêncio
Que se fez triste em fel
Onde a brisa que soprou 
Cometi muitos erros
Neste tudo que existe
Entre eu e você
Onde a esperança aparece
Por vezes minha alma persiste.

Corrupção do amor!

Retorno ao tempo pelo desato dos laços
Da renúncia do amor que acreditava eterno
Caminhando em solidão, no correr dos passos
A cor de uma paixão que não mais governo
Vivo as lembranças de beijos e abraços
Corpos entrelaçados, aquecidos no inverno
Desejosos em união, iluminando os espaços
Corações apaixonados em versos que esterno no extremo da erosão
Já não existe perdão elegia da paixão
Quando o instante foi corrupto sonegando a eternidade
Furtando-me a emoção quando a minha arte a ti
Já não tem atração, sigo ermo em direção ao meu fado
Abrupto a mercê da sorte pela saudade em digestão.

Sentir-se pronta!

A verdade é que eu nunca vou estar pronta
Escrevo para traçar aquilo que em mim fica sem contorno
Preciso preencher o vazio deixado pelo espaço entre os seus abraços
Tento me reinventar de novo, mas não espere que eu vá renunciar a mim
Pois "não sei separar os meus fracassos das minhas vitórias"
Sou prolixa, não abdicarei de nenhum pedaço do que sou. Livre, efêmero, pulsante
No intervalo das horas releio o roteiro da minha existência
Não há como fugir das entrelinhas do tempo, dos versos amargos do destino, das páginas em branco da saudade, da conjugação do amor em tempo presente
Precisarei de mais do que adjetivações e de frases sem pontos finais
É necessário se fazer sentir, render-se a curva da interrogação e a conviver com meu desequilíbrio, meu desalinho constante
Com minha tempestividade e estar pronta para as surpresas de cada capítulo que ainda está por vir.

20/07/2012

A dor que senti!


Aquela dor que eu sentia me tomou por inteira
E ofuscou o meu olhar, destruiu minha alegria
Transformou meu riso em dor fez murchar minha esperança
Emudeceu o meu canto, encobriu a luz do sol
Escondeu a luz da lua deixando minha alma nua
Entrou sem pedir licença
Tão cheia de autoridade como quem tudo pode
Sem dó e sem piedade tornou minha alma vazia
Incorporou em meu ser tristeza e melancolia
Aquela dor que eu sentia era tempestade arrasadora
Transfundiu o meu caminho em total escuridão
Fazendo sua morada em meu coração
Ah, aquela dor que eu sentia
Que meu credo destruiu se foi na nuvem do tempo
Levou todos os seus pertences deixando a casa vazia
Mas hoje, a casa vazia é paz e muita alegria
Tem um novo inquilino que se chama minhas memórias
A dor que guardo não a guardo por querer
Esta dor tem o sentido de fazer com que eu me lembre
De que um dia alguém também me fez sofrer
Os sonhos que todos teen são os meus sonhos também
Ninguém sabe para onde eu vou nem de onde venho
Só quero encontrar um coração e nele fazer morada
Como na vida e no trabalho já não posso com o peso nos meus ombros
Carregar a infelicidade já não me comporta mais
Quero poder dividi-la e transformar este fardo em outros fatos
Que pudessem fazer-me ver o outro lado do espelho
Onde antes me vi refletida sorrindo cheia de felicidade.

A demora!

O tempo passou
Houve a demora eu sei
E embora nenhum dia tenha sido esquecido
E o cenário esteja como a última vez
Faltou você
Talvez a ausência da saudade
Ou a esperança abatida
O fato é que a despedida mudou rumos
Mudou vidas
E o retorno tão sonhado
Pintou um cenário diferente
Não existe reencontro
Quando um está ausente.

Aos poucos!


Aos poucos vou digerindo
Minhas magoas que por vezes
Fez-me tremer nas bases onde
Construí de forma errônea
Os alicerces de uma falsa pirâmide
Que veio a ruir com o tempo
Fiz alusões aos deuses enquanto
O meu coração clamava pelo profano,
Que de alguma forma pressentia o caos
Que se estabeleceria e oxidaria as minhas entranhas
Na periferia da Minha alma inquieta, as paixões
Confundiam-se com os prazeres
E as dores se precipitavam como espinhos
Que ardilosamente crepitavam no meu coração
Fiz de mim o meu próprio algo
Ressentida peço socorro
Para restabelecer a dualidade
E manter o equilíbrio entre o bem e o mal.

26/05/2012

Reencontro!


De tanto lhe mostrar o meu desejo
Fiz o meu coração doer e sangrar
Dizia que o universo traria o ensejo
Uma nova vontade de me amar
Na contenção do amor me deparei
Tão grande era a dor da minha solidão
Em lágrimas de amor me encontrei
Incontidas vezes senti a separação
Juntos ou não cometeremos novos enganos
O reencontro pode ser marcante
Esperar um retorno é sacrificante
Para que fazer tantos planos.
04/96

Passava!

Passava o dia distante, passava na rua distraída, passava e não olhava
Ora, não sentia, não tinha motivo para olhar
Passava, simplesmente imersa nos seus sonhos, perdida nos desejos
Por fora parecia que tinha tudo
Quem via reparava
Mas não, nem notava
Era tão comum, tão igual, não se sentia observada
Por isso passava, quieta sempre pelo mesmo caminho em direção ao mesmo lugar
Um dia se sentiu diferente
Sonhara tanto
Quem a via caminhando tão tranquila, não conhecia o tamanho dos sonhos que nutria, do romantismo que escondia
Um dia, um beijo dado na mesma calçada em que sempre passava a despertou
Sentiu-se distante do mundo, sentiu-se anormal
Tanto sonhava, tanto imaginava
E veja só, caminhando sozinha há tanto tempo nem lembrava
Agora, atenta a todos os lados, procura apressada
Espera inquieta, por alguém que nem sabe quem é
Apenas anda e observa e vê em cada rosto a possibilidade do encontro que sempre sonhou pelo caminho
O sorriso que tanto procurou nos lugares por onde passou, nos capítulos que escreveu, nas lágrimas solitárias, no romantismo em vão escondido
Quase implora pela chegada desse corpo e dessa alma
Que finalmente surja disposta a ser seu abrigo.


03/05/2012

Aprendendo!

Estou aprendendo 
 Aceitar as pessoas mesmo quando elas desapontam, quando fogem do ideal que tenho para elas, quando me ferem com palavras ásperas ou ações impensadas
Não é difícil aceitar as pessoas assim como elas são não como eu desejo que elas sejam, mas como elas são, é difícil, muito difícil
Estou aprendendo

A amar, aprendendo a escutar, escutar com olhos e ouvidos, escutar com a alma e com todos os sentidos, escutar o que diz o coração o que dizem os ombros caídos, os olhos, as mãos irrequietas, escutar a mensagem que se esconde por entre as palavras corriqueiras, superficiais
Descobrir a angústia disfarçada, a insegurança mascarada, a solidão encoberta, penetrar o sorriso fingido, a alegria simulada, a vangloria exagerada, descobrir a dor de cada coração
Estou aprendendo

A perdoar, pois o amor perdoa, lança fora as mágoas e apaga cicatrizes que a incompreensão e insensibilidade gravam no coração ferido, o amor não alimenta mágoas, com pensamentos dolorosos, não cultiva ofensas com lástimas e autocomiseração, o amor perdoa, esquece, extingue todos os traços de dor no coração passo a passo
Estou aprendendo
A perdoar, amar, descobrir o valor que se encontra dentro de cada vida, de todas as vidas, valor soterrado pela rejeição, pela falta de compreensão, carinho e aceitação, pelas experiências duras vividas ao longo dos anos, estou aprendendo a ver nas pessoas a sua alma e as possibilidades que Deus lhes deu
Estou aprendendo
Mas como é longa a aprendizagem
Como é difícil amar, amar como Cristo amou, todavia mesmo tropeçando, estou aprendendo a pôr de lado minhas próprias dores, meus interesses, minha ambição e o meu orgulho quando estes impedem o bem estar e a felicidade de alguém.
                                                   12/96

Simplesmente!

      Eu não quero me inspirar em nada eu quero ser a vítima da inspiração capturada
Não quero procurar em volta algo para escrever, sonhar ou esquecer
Não quero ser pega de surpresa ser fruto de súbito criar
Não pretendo esperar o olho brilhar
Anseio por sentir algo mais forte e fiel do que enxergar
Espero pelo vulto de insensatez que consiga me arrastar
Que me faça largar tudo por um instante
Para me saciar a irresponsabilidade involuntária
Ainda não chegou
Não senti a batida do desespero por algo que não tenho
Sei que existem mil saídas para escapar e não pretendo deixar o movimento do mundo
Só quero adquirir o instinto de saber quando a vontade for mais forte
Voar

Quando escrevo!


Quando eu estiver escrevendo
Não quero ser incomodada
Não quero ouvir barulho algum
Quero apenas sentir cada palavra
E enquanto eu estiver assim
Nesse estado glorioso de isolamento
Que me deixem flutuar e não se admirem
Se me virem rodopiando no vento
Deixem-me sentir cada palavra
Cada ponto e cada acento
E viver esse estado de alma interminável
Onde eu me escondo em busca de contentamento
As letras quando estão soltas
Representam possibilidade sem fim
E quando se mostram fáceis de unir
Demonstram o infinito dentro de mim
E cada frase que se revela
Cada palavra que se solta
Trazem-me a sensação de ser
Realmente livre realmente bela
Por isso me deixem aqui no silêncio
Dos que lá fora estão
Porque daqui de dentro soam gritos
De criatividade, paz, emoção.

02/96

Para meus filhos!

    
O que desejo para meus filhos!
Em todas as datas especiais
Desejo o sonho realizado, o amor esperado, a esperança renovada.
Desejo todas as cores desta vida, todas as alegrias que puder sorrir e todas as músicas que puder emocionar.
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices, que sua família esteja sempre unida e que sua vida seja mais que bem vivida.
Desejo tantas coisas, mas nada seria suficiente para repassar o que realmente desejo.
Então, desejo apenas que meus filhos tenham muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam mover meus filhos ao rumo da sua 
FELICIDADE.
12/96

Pequena!

Pequena é a lacuna do erro
Onde o brilho desaparece
E o Amor enfraquece
Em meio ao desprezo
Pequena é à distância
Entre o certo e o errado
A benção e o pecado
Quando já não existe crença
Pequena é à distância
Entre o ódio e o Amor
Que transforma em dor
Ao viver de aparência
Pequena é a coragem de viver
Que vira covardia
E aumenta a agonia
Quando chega a hora de morrer.

02/96

Depois de você!

Depois de você
Já fui tão amada, amar eu tentei
Dei tantas risadas, mas não me alegrei
Andei por lugares, não caminhei
Perdi os sentidos e o mundo tão lindo
De encanto infinito em mim se desfez
Depois de você
O mar ainda é belo embora não manso
E meu corpo como as ondas não desiste
Cansa e descansa
Tenta esquecer o desencanto
Cai nas pedras e ainda resiste
Em um novo impulso então se levanta
Depois de você
Sem esperanças te espero
Alucinações do Amor?
Não, mistérios
Tempo confuso, viver por viver
Tudo é inútil
Depois de você.
09/95

13/12/2011

Para meus filhos!


Há muito tempo sim que não escrevo
ficaram velhas as notícias
Eu mesma envelheci
Olha em relevo tão leves
Mais também tão profundas as cicatrizes
Estes sinais em mim
Na pele, não das caricias "tão leve".
Que em meu rosto eu sentia todos os dias
E satisfazia o ego
Hoje são golpes, são espinhos.
São apenas lembranças
E minha vida
Há meus amores que ao sol se põe
A falta que me fazes é tanta
À hora de dormir que me pedias Benção mãe!
E eu dizia orgulhosa;
Deus te abençoe!
A noite se abria em um sonho
hoje ao despertar revejo á um canto
a noite acumulada de meus dias
agora sinto que estou viva
só não sonho mais
Meus anjinhos
tudo eu fiz por vocês
tudo para proteger vocês
inclusive até perder
E por perder viver a sofrer
afinal isso não é ser mãe?

07/12/2011

Sou eu!

Sou eu
Aquela menina de olhos grandes e tristes
Que não brinca sossegada, que tem o sorriso amarrado
Tão pensativa e perturbada
De família dividida e irmãos separados
Ansiosa e super-revoltada
Sofre responsabilidades
Envelhece antecipadamente
Acabrunhada
Enxerga o desequilíbrio
Num caso consumado
Muito emotiva
Ela busca inteligência
Em sua procura
Quer encontrar carinho
Para não se sentir tão carente
sonha com o plantar, o colher, lutar e vencer
Sonha com o viver
E sobrevive
Aquela menina
Era apenas uma menina
Que agora já é quase uma mulher.