Eu não quero me
inspirar em nada eu quero ser a vítima da inspiração capturada
Não quero procurar em
volta algo para escrever, sonhar ou esquecer
Não quero ser pega de
surpresa ser fruto de súbito criar
Não pretendo esperar
o olho brilhar
Anseio por sentir
algo mais forte e fiel do que enxergar
Espero pelo vulto de
insensatez que consiga me arrastar
Que me faça largar
tudo por um instante
Para me saciar a
irresponsabilidade involuntária
Ainda não chegou
Não senti a batida do
desespero por algo que não tenho
Sei que existem mil
saídas para escapar e não pretendo deixar o movimento do mundo
Só quero adquirir o
instinto de saber quando a vontade for mais forte
Voar
